Milan Kundera (1929 - )

Obra Risíveis Amores
País República Tcheca
Direção Luciana Barone
Música (Harpa) Felipe Ayres
Meadição Mariana Sanchez




Biografia
Nasceu em Brno, na República Tcheca, em 1929, no seio de uma erudita família de classe-média. Kundera aprendeu a tocar piano com seu pai e posteriormente também estudou musicologia. Estudou literatura e estética na Faculdade de Artes da Universidade Charles mas, depois de dois períodos, transferiu-se para o curso de cinema da Academia de Artes Performáticas de Praga onde realizou suas primeiras leituras em produção de scrpits e direção cinematográfica. Em 1950, foi temporariamente forçado a interromper seus estudos por razões políticas. Kundera, assim como outros artistas tchecos como Václav Havel, envolveu-se na Primavera de Praga de 1968. Emigrou para a França em 1975, onde hoje vive como cidadão francês. A maioria dos seus livros foi escrita em tcheco, mas o autor retrabalhou-os inteiramente na tradução francesa. Os seus romances, novelas e peças de teatro apresentam-se como variações sobre o tema da solidão do indivíduo face às forças da História. Entre outros prêmios, Milan Kundera recebeu, pelo conjunto da sua obra, o "Common Wealth Award" de Literatura (1981) e o "Prêmio Jerusalém" (1985). Sua obra principal, "A Insustentável Leveza do Ser" ganhou em 1988 uma adaptação para o cinema. Recebeu 2 indicações ao Oscar e reconhecimento mundial. Desde então nunca mais autorizou a adaptação cinematográfica dos seus romances.


Indicações bibliográficas
A Valsa dos Adeuses. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
A Arte do Romance. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
A Identidade. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
A insustentável leveza do ser. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
O livro do riso e do esquecimento. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
A Cortina. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
A Ignorância. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
Risíveis Amores. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
A Brincadeira. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.


[...] aparentemente não existe nada de mais evidente, de mais tangível e palpável do que o momento presente. E, no entanto, ele nos escapa completamente. Toda a tristeza da vida está aí. Durante um único segundo, nossa vista, nossa audição, nosso olfato registram (consciente ou inconscientemente) uma massa de acontecimentos e, por nossa cabeça, passa um cortejo de sensações e idéias. Cada instante representa um pequeno universo, irremediavelmente esquecido no instante seguinte. Ora, o grande microscópio de Joyce sabe parar, reter este instante fugitivo e fazer com que o vejamos.

[ pg. 28, trecho de A Arte do Romance ]


Ah, senhoras e senhores, como é triste viver quando não se pode levar nada a sério, nada e ninguém! É por isso que Eduardo sente necessidade de Deus, pois somente Deus está livre da obrigação de parecer e pode contentar-se em ser, pois só Ele constitui (Ele só, único e não-existente) a antítese essencial deste mundo tanto mais existente quanto menos essencial é.
Por isso, Eduardo vem de vez em quando sentar-se na igreja e levanta olhos sonhadores em direção à cúpula. É num desses momentos que nos despedimos dele: a tarde cai, a igreja está silenciosa e deserta. Eduardo está sentado num banco de madeira e sente-se triste com a idéia de que Deus não existe. Mas nesse instante sua tristeza é tão grande que ele vê emergir de repente, de suas profundezas, o rosto real e vivo de Deus. Vejam! É verdade! Eduardo sorri! Sorri e seu sorriso é feliz... Guardem-no na lembrança, por favor, com esse sorriso.

[ pg. 236, trecho do conto Eduardo e Deus de Risíveis Amores, tradução: Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca ]

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