Mostrando postagens com marcador Imprensa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Imprensa. Mostrar todas as postagens

Projeto “EntreMundos” se encerra com literatura contemporânea da França e dos Estados Unidos

Publicado em 02/12/11 pelo portal BemParaná
Texto: Redação Bem Paraná
Foto: Divulgação

O evento acontece quarta-feira, 07 de dezembro, na Caixa Cultural

 O encarregado pela direção da última leitura da temporada é o curador do projeto, Flávio Stein 

O francês Jean Genet e o norte-americano Alan Lightman terão trechos de seus livros lidos, na Caixa Cultural, dia 07 de dezembro. As obras dos dois autores encerram o projeto “EntreMundos – Mundo da Leitura, Leitura do Mundo”, que chegou a sua décima edição em 2011.

O encarregado pela direção da última leitura da temporada é o curador do projeto, Flávio Stein. Para o encerramento, Stein escolheu os livros “A Criança Criminosa”, de Jean Genet, e “Sonhos de Einstein”, de Alan Lightman, que serão lidos por ele e pelo ator Mauro Zanatta.

A ideia não é encenar ou fazer uma leitura dramática das obras, mas sim vocalizar as palavras que os autores imprimiram em suas páginas, transformando a leitura, que costuma ser um hábito individual, em uma experiência coletiva.

“Os universos temáticos de cada um dos autores são muito diferentes. Enquanto Genet fala sobre os que estão à margem da sociedade: homossexuais, criminosos, entre outros, e questiona os limites entre as dualidades bem e mal, certo e errado, Lightman fala das pessoas comuns: o sapateiro, o rapaz que trabalha na farmácia, uma bibliotecária etc. Colocando em xeque o que o senso-comum acredita ser uma boa vida e o que dá sentido a ela”, explica Stein.

As leituras serão acompanhadas por um fundo sonoro, utilizado para completar a narrativa. Nesta edição, o músico Marcelo Torrone vai tocar teclado, ajudando a criar uma atmosfera sonora para as palavras.

A professora do Departamento de Letras da UFPR, Sandra Stroparo, será a mediadora do debate entre o público e a equipe do projeto, num bate-papo sobre os autores escolhidos, suas obras, a leitura e a trilha sonora da edição.

Depois dos projetos “Brasis: Leituras Plurais” e “XX Narrativas do Século XX”, realizados em 2009 e 2010, que focavam na literatura de um determinado período ou de um espaço, “EntreMundos - Mundo da Leitura, Leitura do Mundo” busca colocar em diálogo obras e autores através do tempo, tendo a narrativa como fio-condutor.

Lygia Fagundes Telles e Tchekhov na CAIXA Cultural

Publicado em 05/11/11 pelo portal CWB
Texto: Jean Tossin



Chegando a sua 9ª edição em 2011, o projeto “EntreMundos – Mundo da Leitura, Leitura do Mundo” vai levar ao palco dois escritores de enorme repercussão: a brasileira Lygia Fagundes Telles e o russo Anton Tchekhov. Os autores terão trechos de suas obras lidos no dia 9 de novembro, quarta-feira, na CAIXA Cultural.

Uma das principais escritoras contemporâneas brasileiras, Lygia Fagundes Telles será representada pelo livro “Invenção e Memória”, lançado em 2000 e vencedor do Prêmio Jabuti. De Tchekhov, apontado como um dos mestres do conto moderno, será lido um trecho de uma das suas obras mais importantes: “A Dama do Cachorrinho e Outras Histórias” – o conto que dá nome ao livro foi publicado originalmente em 1899.

Os atores Luiz Bertazzo e Ciliane Vendruscolo serão os responsáveis por vocalizar as palavras dos autores sob a direção de Suely Araújo. “É incrível ir da Rússia para São Paulo e Rio de Janeiro. O universo da Lygia é uma voz feminina que mostra o mundo e suas ambiguidades. E aí você vai para a Rússia, com o seu conservadorismo, mas com o olhar sagaz e psicológico do Tchekhov. É um privilégio transitar entre o passado e o presente com esses dois autores importantes que apresentam personagens e facetas de uma forma tão especial”, explica Suely.

Como de praxe no projeto, as leituras são acompanhadas por um fundo sonoro, utilizado para completar a narrativa. Nesta edição, o músico Ary Giordani vai tocar teclado e acordeon, criando uma atmosfera sonora para as palavras. O jornalista e tradutor Christian Shwartz será o mediador do debate entre o público e a equipe do projeto, num bate-papo sobre os autores escolhidos, suas obras, a leitura e a trilha sonora da edição.

Os autores

Contemplada em 2005 com o Prêmio Camões – dado aos autores quecontribuem para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua portuguesa, Lygia Fagundes Telles nasceu em 1923 e publicou seu primeiro livro de contos, “Porão e Sobrado”, aos 15 anos. Entre suas obras de grande sucesso estão “Praia Viva”, “Ciranda de Pedra” (adaptado para uma novela de TV) e “Seminário de Ratos”. “As Meninas” e “Invenção e Memória” renderam o Jabuti à autora, eleita para a Academia Brasileira de Letras em 1985.

Anton Tchekhov nasceu em 1860, em Taganrog, na Rússia. Neto de um ex-servo que comprou a liberdade e filho de pais pobres, não foi um bom aluno na escola. Antes de ser considerado um dos principais representantes do realismo, deu aulas particulares para pagar seus estudos. Escreveu textos humorísticos, estudou medicina em Moscou e publicou “Narrativas Coloridas” em 1886, seu primeiro livro de contos. Rompendo com a tradição da narrativa literária russa do século 19, fala sobre o cotidiano do povo e lança clássicos como “Palavras Inocentes” (1887) e “Histórias” (1889). Tchekhov também foi um dramaturgo de sucesso, com as importantes obras “A Gaivota” (1898), “Tio Vânia” (1899) e “As Três Irmãs” (1901). Morreu em Badenweiler, na Alemanha, vítima de tuberculose, em 1904.

EntreMundos

Depois dos projetos “Brasis: Leituras Plurais” e “XX Narrativas do Século XX”, realizados em 2009 e 2010, neste ano serão dez edições mensais de “EntreMundos – Mundo da Leitura, Leitura do Mundo”. Enquanto nas iniciativas anteriores focou-se na literatura de um determinado período ou de um espaço, a nova versão busca colocar em diálogo obras e autores através do tempo, tendo a narrativa como fio-condutor.

Nas oito edições anteriores, foram lidos trechos de Giovanni Bocaccio, Lima Barreto, Paulo Venturelli, Voltaire, David Foster Wallace, Italo Calvino, Julio Cortázar, Roberto Bolaño, Milan Kundera entre outros. Durante o ano, ainda serão visitados autores como Jean Genet e Alan Lightman.

Retratos fiéis da mulher moderna

Publicado em 19/10/11 pelo jornal Gazeta do Povo
Texto: Yuri Al'Hanati
Foto: Valdir Silva

EntreMundos faz leituras dramáticas de Arthur Schnitzler e Milan Kundera, autores com olhares sensíveis sobre a figura feminina

Márcio Mattana é um dos responsáveis pela leitura do projeto

O projeto EntreMundos – Mundo da Leitura, Leitura do Mundo tem como uma de suas principais peculiaridades a escolha de dois autores aparentemente contrastantes que, unidos pela leitura dramática que acontece no palco do Teatro da Caixa, revelam paralelos até então ocultos pela distância geográfica ou literária.

Entretanto, os autores escolhidos para a próxima edição do evento, que acontece hoje a partir das 20 horas, parecem ter mais pontos em comum do que quaisquer outros escolhidos pela curadoria do diretor musical Flávio Stein: o checo Milan Kundera e o alemão Arthur Schnitzler (1862-1931). O mais visível é que ambos tiveram obras adaptadas para o cinema. O primeiro, com o filme De Olhos Bem Fechados, dirigido por Stanley Kubrick, com Tom Cruise e Nicole Kidman nos papéis principais, a partir de sua novela Breve Romance de Sonho; o segundo, com A Insustentável Leveza do Ser, baseado no best-seller homônimo e estrelado por Daniel Day-Lewis e Juliette Binoche.

A outra semelhança será possível verificar quando as obras Crônica de uma Vida de Mulher, de Schnitzler, e Risíveis Amores, de Kundera, forem lidas no projeto EntreMundos: “A figura da mulher moderna, na obra de Schnitzler, é recorrente também na literatura de Kundera, quarenta ou cinquenta anos depois. A mulher em Kundera é emancipada e politizada, reflexo da figura retratada pelo autor alemão”, comenta Flávio Stein, que convidou para esta edição a diretora Lu­­ciana Barone e os atores Márcio Mattana e Airen Wormhoudt. Ele explica que, embora a escolha dos contos ou trechos a serem lidos seja uma prerrogativa do diretor convidado, os autores e as obras são sempre de sua escolha: “Num primeiro momento eu sempre achei que isso pudesse ser muito impositivo da minha parte, mas não tem muito outro jeito, a curadoria é isso, ela pensa o evento como um todo, e todo mundo tem recebido como um desafio prazeroso”.

Luciana, por sua vez, disse que o maior desafio de fazer a leitura de Schnitzler foi sintetizar o livro como um todo de maneira a dar o tom da sucessão de fatos que acometem a protagonista do romance: “Escolhi trechos significativos do romance e preferi usar a voz masculina para as narrativas e a voz feminina para os diálogos e os pensamentos da protagonista. Já no conto ‘Que os Velhos Mortos Cedam Lugar aos Novos Mortos’, do livro Risíveis Amores, alternei as vozes dos atores para compor o constante diálogo”.

A diretora conta também que para acompanhar a leitura de Milan Kundera, o músico Felipe Ayres, que frequentemente acompanha o projeto, optou por usar um violão, e um instrumento um pouco mais incomum – a harpa – para a leitura de Schnitzler. “A harpa pode dar uma leveza, mas dependendo de como for usada, pode dar uma intensidade incrível. Na época de Schnitzler, a harpa começou a ser usada como instrumento de orquestra e a ter essa grande importância dramática entre compositores como Stravinsky e Gustav Mahler. Ela ofereceu algo para a música assim como os autores ofereceram para a literatura esse olhar inusitado”, comenta Stein.

Mais uma edição do Projeto EntreMundos na Caixa Cultural

Publicado em 12/10/11 pelo jornal Portal CWB
Texto: Jean Tossin


A CAIXA Cultural apresenta mais uma sessão do projeto literário EntreMundos: Mundo da leitura, leitura do mundo, no dia 19 de outubro. O austríaco Arthur Schnitzler e o tcheco Milan Kundera terão suas obras lidas, acompanhadas pela harpa de Felipe Ayres, com mediação de Mariana Sanchez, direção de Luciana Barone e atuação de Marcio Mattana e Airen Wormhoudt.

Depois dos projetos “Brasis: Leituras Plurais” e “XX Narrativas do Século XX”, realizados em 2009 e 2010, neste ano serão dez edições mensais de “EntreMundos – Mundo da Leitura, Leitura do Mundo”. Enquanto nas iniciativas anteriores se focou na literatura de um determinado período, ou de um espaço geográfico, a nova versão busca colocar em diálogo obras e autores através do tempo, tendo a narrativa como fio-condutor.

Arthur Schnitzler

Do austríaco Schnitzler, será lida a obra “Crônica de Uma Vida de Mulher”. O romance conta a história da austríaca Therese Fabiani, a partir dos seus 16 anos. A menina vê sua família desmoronar depois do acesso de loucura do pai e passa a transitar por uma sociedade vienense que enfrenta perda de valores, ao mesmo tempo em que procura seu próprio caminho.

Nascido em 1862, Schnitzler é contemporâneo de Freud e estudou medicina antes de trocar a carreira médica pela de escritor. Em sua obra o escritor antecipou idéias da psicanálise de Sigmund Freud. Consagrado por dramas psicológicos, o austríaco é autor de “Breve Romance de Sonho”, texto que inspirou o filme “De Olhos Bem Fechados”, de Stanley Kubrick. Autor de muitos outros livros, entre os quais O Retorno de Casanova (1918), Senhorita Else (1924) e Breve Romance de Sonho (1926), Arthur Schnitzler morreu em Viena, em 1931.

Milan Kundera

O tcheco Milan Kundera, nascido em 1929, aparece com a obra “Risíveis Amores”. Nos sete contos, Kundera retira do amor e do sexo a seriedade que normalmente costuma recobri-los, com histórias que tentam repor alguma verdade na experiência amorosa. A mentira – ou a a arte de iludir e ser iludido – está sempre em foco, mas o engano, que se inicia como brincadeira, revela depois como o autoengano governa todos os aspectos da vida.

Kundera é também autor da célebre obra “A Insustentável Leveza do Ser”, também transposta para o cinema. Entre outros prémios, Milan Kundera recebeu, pelo conjunto da sua obra o Common Wealth Award de Literatura (1981), o Prêmio Los Angeles Times Book Prize (1984) por “A Insustentável Leveza do Ser” e o Prémio Jerusalém (1985).

Entremundo traz literatura europeia para Caixa Cultural

Publicado em 20/09/11 pelo jornal Portal CWB
Texto: Jean Tossin




A CAIXA Cultural apresenta no dia 28 de setembro (quarta-feira) o projeto literário “EntreMundos – Mundo da Leitura, Leitura do Mundo”. Esta edição traz leituras de obras do alemão Heinrich von Kleist e do espanhol Enrique Vila-Matas. A sessão tem direção de Flávio Stein, mediação de José Castello e conta com a música de Marcelo Torrone.

De Heinrich von Kleist será lida a obra “Marquesa d’O e outras estórias”, que compila cinco novelas, seis histórias curtas e dois ensaios. Kleist nasceu em 1777, em Frankfurt, e em vida nunca foi reconhecido pelo seu trabalho. Hoje, o dramaturgo é considerado um dos grandes nomes da literatura alemã. O escritor iniciou uma carreira no Exército, mas optou por se dedicar à busca da satisfação pessoal. Essa busca, no entanto, foi frustrada, marcando sua obra com tragédias e maldade. A desesperança do autor culminou na sua maior tragédia pessoal: o suicídio.

O suicídio aparece apenas na temática do espanhol Enrique Vila-Matas, um dos nomes mais importantes da literatura espanhola contemporânea. Vila-Matas nasceu em Barcelona em 1948 e em 1968 se mudou para Paris, auto exilado do governo Franco e buscando maior liberdade criativa. Sua obra é composta por uma mistura de ensaios, crônicas jornalísticas e novelas. Desenvolveu uma ampla obra narrativa que se inicia em 1973 já foi traduzida para 29 idiomas. Atualmente é um dos narradores espanhóis mais elogiados pela crítica nacional e internacional. Para esta sessão, a obra escolhida foi “Suicídios Exemplares”.

Um encontro quixotesco

Publicado em 03/08/11 pelo jornal Gazeta do Povo 
Texto: Yuri Al' Hanati


O projeto EntreMundos traz obras de Miguel de Cervantes e Roberto Bolaño, referências em épocas distintas para a literatura 

 O chileno Roberto Bolaño, autor de 2666 e Os Detetives Selvagens: olhar frequente sobre párias da sociedade

As obras de dois autores de língua espanhola serão os próximos objetos de estudo da nova edição do projeto EntreMundos – Mundo da Leitura, Leitura do Mundo, que acontece hoje, a partir das 20 horas, no Teatro da Caixa. O espanhol Miguel de Cervantes Saavedra (1547–1616), mais conhecido pela criação do personagem Dom Quixote, e o chileno Roberto Bolaño (1953–2003), autor de 2666 e Os Detetives Selvagens, estão separados por mais de três séculos, mas se encontram no projeto que tem direção de Marcelo Munhoz. Ele e a atriz Débora Vecchi lerão o prólogo e o conto “O Casamento Enganoso” da coletânea Novelas Exemplares, de Cervantes, e o conto “O Olho Silva” e outros trechos de Putas Assassinas, do autor chileno, que declarou, em uma de suas últimas entrevistas, que Cervantes é uma referência para todo escritor de língua espanhola, inclusive para si.

O projeto já teve outras cinco edições neste ano, e é marcado principalmente por uma leitura de autores renomados acompanhada por um fundo musical arranjado especialmente para o espetáculo e seguido por um debate mediado por especialistas sobre a obra dos autores. Para falar sobre Cervantes e Bolaño, foi convidada a professora do curso de Letras–Espanhol Isabel Jasinski. Para ela, as obras selecionadas, embora menos conhecidas do grande público, têm grande importância para entender os autores e se aproximam em vários aspectos: “Tanto o conto de Bolaño quanto o de Cervantes se aproximam de um submundo, uma sociedade à margem para a qual os olhos dos escritores se voltam por razões distintas. Cervantes era um humanista cristão, suas histórias são marcadas por uma moral muito presente; já Bolaño tinha uma posição política de esquerda, então dedica um olhar mais radical a esses párias.”

Miguel de Cervantes, a maior referência da literatura espanhola

Para Marcelo Munhoz, mais do que uma tentativa de conciliação entre as obras, apontar características distintas nas duas pode ser mais enriquecedor para o ouvinte: “Acentuei um pouco cada lado: o Bolaño, duro, sem substrato poético, e o Cervantes brincando com todos os códigos de opereta, do vaudeville, esse lado mais teatral”. Ele explica também que os personagens de Cervantes serão divididos entre ele e Débora Vecchi, ao passo que em “O Olho Silva” a leitura será feita no estilo de um jogral.

Acompanhando a leitura, os alaúdes de Silvana Scarinci e Roger Burmester pontuam de maneira característica e diferente as obras dos autores. “Para o texto de Bolaño, contrapomos o sentimento da música e do texto. Se há uma passagem alegre, fazemos uma acentuação mais triste, ou deixamos para acentuar essa parte em outro momento. No caso do Cervantes, além do alaúde, também tocamos a guitarra barroca, que também é da época do autor. Ela permite um som mais percussivo e é usada mais para festas e bailes, situações retratadas no conto”, adianta Burmester.

É dessa forma que as diferenças e as semelhanças entre dois mestres da literatura de língua espanhola surgem. “A rigidez das pavanas e dos minuetos do alaúde fazem jus à rigidez da escrita de Bolaño, e a antiguidade dos instrumentos, aliada à sua sonoridade arcaica, fala ao mundo renascentista de Cervantes. São esses dois universos que pretendemos explorar”, afirma Munhoz.

Cervantes e Bolaño sobem ao palco da CAIXA Cultural

Publicado em 27/07/11 pelo CWB Cultura
Texto: Jean Tossin



A CAIXA Cultural apresenta, na próxima quarta (3), às 20h, a sexta edição do projeto “EntreMundos – Mundo da Leitura, Leitura do Mundo”, com obras de dois autores de língua espanhola: o espanhol Miguel de Cervantes e o chileno Roberto Bolaño. Os textos serão lidos por Débora Vecchi e por Marcelo Munhoz, que também assina a direção desta edição do projeto. As palavras dos dois escritores serão acompanhadas pelo som dos alaúdes de Silvana Scarinci e Roger Burmester e a mediação do bate-papo fica a cargo de Isabel Jasinski.

De acordo com o diretor Marcelo Munhoz, os dois autores serão, de certa forma, confrontados. “Optei por assumir a contextualização do Bolaño e a descontextualização de Cervantes”, explica ao citar as diferenças temporais entre os dois e a proximidade histórica com o escritor chileno. “Enquanto o primeiro faz questão de afirmar que está de acordo com as convenções da sua época, Bolaño deixa que o ímpeto siga seu caminho, literariamente falando”, completou.

Munhoz também lembrou o fato de que os dois autores exigem uma leitura atenciosa. “Cada um, por ir muito a fundo no que se propõe, exige uma dicção muito própria, muito precisa”, destacou o diretor.

De Bolaño, serão lidos trechos de “Putas Assassinas”, uma coletânea de 13 contos publicada em 2001. Uma das características mais visíveis desta obra é o confronto entre os limites da realidade e da imaginação, sendo que o exílio foi tema de grande parte destes contos. O autor passou parte da adolescência no México e retornou ao Chile na época do golpe militar e foi preso por um breve período por estar ligado à revolução socialista. Conseguiu voltar ao México e, posteriormente, foi para a Espanha. Foi em Barcelona que passou a publicar as obras que renderam prestígio internacional como, por exemplo, “Los Detectives Selvajes” (Prêmio Rómulo Gallegos em 1998).

Já Cervantes, conhecido pelo clássico “Dom Quixote”, aparece nesta sessão com a obra “Novelas Exemplares”. A primeira incursão do autor na literatura foi em 1585, mas o espanhol não obteve sucesso. A publicação da primeira parte de “Dom Quixote”, muitos anos depois, foi que o consagrou como escritor. Em 1613 lançou a série de 12 contos intitulada “Novelas Exemplares”. O livro é um dos grandes clássicos da literatura, com histórias que expõem as virtudes e fraquezas humanas servindo de exemplo para o que se deve e não deve fazer.

EntreMundos apresenta textos de Sebald e Kawabata

Publicado em 06/07/11 pelo jornal Gazeta do Povo
Texto: Yuri Al'Hanati


O ator Mauro Zanatta fará a leitura de textos do japonês Yasunari Kawabata, prêmio Nobel de literatura de 1968


O projeto EntreMundos – Mundo da Leitura, Leitura do Mundo, que apresenta textos de escritores com leituras dramáticas, traz ao Teatro da Caixa hoje, a partir das 20 horas textos de dois consagrados escritores do século 20: o alemão W. G. Sebald e o japonês Yasunari Kawabata, prêmio Nobel de literatura de 1968.

EntreMundos, idealizado por Flávio Stein, é uma evolução de outros dois projetos realizados em 2009 e 2010: Brasis: Leituras Plurais, que tratava de literatura nacional, e XX Narrativas do Século XX, que restringia o evento a obras contemporâneas. O evento está em sua quinta edição este ano, e já apresentou textos de Boccacio, Lima Barreto, Julio Cortázar e Italo Calvino, entre outros.

Para esta edição, foram escolhidos alguns trechos dos livros Os Emigrantes, de Sebald, e Contos da Palma da Mão, de Kawabata. Sobre a escolha dos autores, Stein comenta: “Como curador, mais do que fazer conexões entre as obras, eu tenho me preocupado em apresentar autores menos conhecidos do público e, de outro lado, procurar contrastes nos escritos. No caso, ambos autores carregam o peso da guerra em suas narrativas, além de uma preocupação com cotidianos de vidas não maravilhosas, mas comuns, e pequenos detalhes passíveis de transformar a realidade”.

A leitura de Os Emigrantes será feita pelo ator Leandro Daniel Colombo – que assume também a direção executiva do espetáculo – e a de Contos da Palma da Mão fica a cargo de Mauro Zanatta, ator e idealizador dos primeiros projetos de leitura no Teatro da Caixa junto com Stein. “Kawabata oferece uma possibilidade de viagem em sua obra. Embora seja narrativa, ela é muito poética, e é transportadora. Está sempre no limite entre a vigília e o sonho, lembra um pouco o clima do filme Sonhos, do [cineasta japonês Akira] Kurosawa”, afirma Zanatta.

Já a literatura de Sebald, entremeada por fotos e imagens, demanda um recurso especial: “Seus livros são como documentários e essas imagens ficam entre a ficção e a realidade. Como são imprescindíveis para a obra, as fotos serão projetadas numa tela enquanto a leitura é feita, para que o leitor tenha uma experiência imersiva maior”, explica Stein.

Também parte da experiência, um fundo musical faz parte do espetáculo. Viola Caipira, violão, flauta e guitarra já acompanharam as leituras em eventos anteriores, e desta vez o Teatro da Caixa recebe o som do violoncelo do músico Thomas Jucksch. “Nunca tivemos um instrumento de arco antes. O violoncelo é um instrumento que remete à cultura alemã e, de uma maneira muito subjetiva, à melancolia das obras dos dois autores”, diz o idealizador do projeto.

Após as leituras dos textos, o professor do departamento de Letras/Alemão da Universidade Federal do Paraná, Paulo Soethe, promove um bate-papo sobre a vida e obra dos autores. Os livros dos autores estarão à venda no saguão do Teatro da Caixa.

Literatura japonesa e alemã se encontram na CAIXA Cultural

Publicado em 30/06/11 pelo CWB Cultura
Texto: Jean Tossin
Foto: Valdir Silva


Em sua quinta edição, o projeto “EntreMundos – Mundo da Leitura, Leitura do Mundo” apresentará obras do autor alemão W. G. Sebald e do japonês Yasunari Kawabata. As palavras destes escritores do século 20 poderão ser ouvidas a partir das 20h de quarta-feira, 6 de julho, na CAIXA Cultural.

Flávio Stein, responsável pela direção desta edição, comenta que a escolha de dois autores relativamente desconhecidos do grande público faz parte de um dos objetivos do projeto: apresentar escritores que, apesar de serem reconhecidos pela crítica especializada, são pouco difundidos pela grande mídia. Na leitura, os textos serão acompanhados por intervenções sonoras do violoncelista Thomas Jucksch. “O violoncelo traz densidade. Ele fará parte da narrativa, vai se ‘infiltrar’ nas histórias. Terá, com certeza, um papel intenso na leitura e será capaz de aproximar os autores ao mesmo tempo em que particularizará as suas diferenças”, explica Flávio.

As leituras serão feitas pelos atores Mauro Zanatta e Leandro Daniel Colombo. Depois de ouvir os textos, o público poderá acompanhar e participar de um debate mediado pelo professor da Universidade Federal do Paraná, Paulo Soethe. A conversa abordará assuntos relacionados aos autores, aos livros, aos leitores, à música e tudo mais que o evento abrange.

De Yasunari Kawabata, serão lidos trechos do livro “Contos da Palma da Mão”, que faz jus ao título e apresenta textos curtos. Já de Sebald, foi escolhido apenas um longo conto do livro “Os Emigrantes”. Apesar de os autores tratarem de temas distintos, ambos acabam tendo como ponto em comum a delicadeza e a simplicidade para narrar eventos da vida e cotidiano.

“Kawabata parte de eventos mínimos, transitando pela fronteira entre o real e o imaginário, mas sempre falando de sentimentos muito profundos. No caso do alemão, os detalhes pertencem apenas à história de uma personagem. Mas como ele narra toda a sua vida, é possível viajar no tempo e no espaço – neste caso, estritamente real. Enquanto o primeiro apresenta fragmentos, o outro mostra uma vida inteira, mistura de memórias e de história”, conta Flávio Stein.

Projeto literário no palco do Teatro da Caixa

Publicado em 25/05/11 pelo CWB - Guia Cultural de Curitiba
Texto: Jean Tossin


A quarta edição do projeto “EntreMundos – Mundo da Leitura, Leitura do Mundo” volta ao Teatro da Caixa para apresentar textos de dois escritores contemporâneos e de uma obra clássica de autor desconhecido. Trata-se de “As Mil e Uma Noites”, que estará ao lado do italiano Italo Calvino e do argentino Julio Cortázar no dia 1º de junho, quarta-feira, às 20h.

Quem comanda a leitura dessa vez é a diretora Olga Nenevê, que selecionou contos dos livros indicados pelo curador Flávio Stein. Além do livro “As Mil e Uma Noites”, compilação árabe do século 9, serão lidos textos de obras contemporâneas, como “Os Amores Difíceis”, de Italo Calvino, e “História de Cronópios e de Famas”, de Julio Cortázar.

Encontrar similaridades em textos escritos em épocas e lugares tão diferentes foi uma tarefa nada fácil para a diretora. “No início, a gente pensou em tentar encontrar um ponto em comum. Depois, passamos a trabalhar a qualidade individual de cada um, sem querer misturar ou fazer um esforço para ligá-los”, explica Olga, que fará a leitura ao lado do ator Eduardo Giacomini.

No fim das contas, entretanto, as obras revelam, cada uma ao seu modo, tratar da busca pelo encontro. “A ideia de afetividade é trabalhada literariamente bem diferente em cada um, a vontade e a dificuldade do encontro, a vontade que existe entre os seres. Todos eles falam desse lugar interno e de como concretizar esse desejo interior”, completou.

Durante a leitura, a apresentação contará com a participação do músico Rogério Gulin, que complementará o ambiente com intervenções sonoras de uma viola caipira. Quem comparecer ao evento, ainda terá a oportunidade de participar de um debate mediado pelo escritor Luís Henrique Pellanda. O público poderá conversar e trocar ideias com a equipe responsável pela apresentação.

Sobre os autores

Considerado um dos maiores escritores europeus do século 20, Italo Calvino nasceu em Cuba, em 1923, mas logo foi para a Itália. Seu primeiro livro, “A Trilha dos Ninhos de Aranha” foi lançado em 1947. Começando com o neo-realismo, passou a explorar a fábula e o fantástico, sendo “As Cidades Invisíveis” e “Se um Viajante Numa Noite de Inverno” suas obras mais representativas.

Julio Cortázar nasceu em Bruxelas, na Bélgica, em 1914, mas mudou-se para a Argentina. Foi lá que estudou letras e trabalhou como professor. Em 1951, fixou residência em Paris e seguiu carreira literária. Considerado um dos pais do realismo fantástico, lançou entre muitas obras “O Jogo da Amarelinha”. O livro pode ser lido tradicionalmente do início ao fim ou seguindo indicações de rodapé e caindo em capítulos aleatórios.

Narrados por Sherazade, esposa do rei Shariar, os contos de “As Mil e Uma Noites” foram reunidos em língua árabe no século 9. O livro passou a ser amplamente conhecido no ocidente com a tradução feita por Antoine Galland para o francês em 1704. Na obra, Xerazade livra-se da punição do rei – que matava uma esposa a cada noite – ao contar histórias que sempre continuavam no dia seguinte.

EntreMundos

Depois dos projetos “Brasis: Leituras Plurais” e “XX Narrativas do Século XX”, realizados em 2009 e 2010, neste ano serão dez edições mensais de “EntreMundos – Mundo da Leitura, Leitura do Mundo”. Enquanto nas iniciativas anteriores focou-se na literatura de um determinado período ou de um espaço, a nova versão busca colocar em diálogo obras e autores através do tempo, tendo a narrativa como fio-condutor.

Nas primeiras edições, realizada em março e abril, foram lidos trechos de Giovanni Bocaccio, Lima Barreto, Mia Couto, Luís Henrique Pellanda, Paulo Venturelli e Assionara Souza. Durante o ano, ainda serão visitados Miguel de Cervantes, Milan Kundera, Lygia Fagundes Telles, entre muitos outros.

Ficha técnica:

Direção: Olga Nenevê
Leitores: Olga Nenevê, Eduardo Giacomini
Mediação: Luís Henrique Pellanda
Músico convidado: Rogério Gullin – viola caipira
Curadoria: Flávio Stein
Direção executiva: Leandro Daniel Colombo
Obras selecionadas: “As Mil e Uma Noites”, autor desconhecido; “Os Amores Difícies”, de Italo Calvino; e “História de Cronópios e de Famas”, de Julio Cortázar

Reunião de escritores ilustres

Publicado em 04/05/11 pelo jornal Gazeta do Povo
Texto: Gabriel Hamilko

Obras de Voltaire, Piglia e Foster Wallace serão lidas no Teatro da Caixa

O francês Voltaire (1694-1778) e mais dois autores contemporâneos – o argentino Ricardo Pi­­glia e o norte-americano David Foster Wallace (1962-2008) – reunidos em um teatro? Essa seria uma situação impossível, mas a terceira edição do encontro literário EntreMundos – Mundo da Leitura, Leitura do Mundo, que será realizado hoje no Teatro da Caixa, tornará esse encontro real e viável, promovendo a releitura de três obras desses diferentes autores, em terras distintas.

A proposta é um diferencial, que cativa o público, cada vez mais fiel às discussões. “Os frequentadores do evento são pro­­fis­sionais das mais diversas áreas e idades, atraídos por várias ra­­zões, como a maneira de apresentar a leitura, algum autor ou obra específica”, diz Flavio Stein, curador do projeto. O propósito é aproveitar essa plateia diversificada para reler as obras Cândido, de Voltaire; Breves Entrevistas com Homens Hediondos, de Wallace; e A Invasão, de Piglia.

Stein afirma que o principal objetivo dessa escolha é reunir um autor francês do século 18 a dois escritores contemporâneos. Além da diferença de épocas, é colocada em pauta a variedade geográfica dos autores. Misturando tudo isso, a leitura vai apresentar os contrastes entre esses olhares e épocas distintas, confrontando as diversas escritas.

Após a encenação dos li­­vros, a ideia é propor uma discussão com os os espectadores, que apontarão as semelhanças entre as três obras e o que mais destoa nos textos. “A preocupação é colocar as publicações dentro de uma proposta de contraste. A semelhança é o ouvinte que vai apontar na discussão”, completa o curador.

Logo no começo, os textos serão apresentados por Caetano Galindo, professor da Universidade Federal do Paraná – que também mediará o evento – seguido pela leitura, realizada pela atrizes Jaqueline Valdívia e Maíra Weber.

O diretor Walter Lima Torres é o responsável pela forma como será conduzido o diálogo entre as obras. Na sua opinião, o desafio é tentar subtrair ao máximo a presença corporal e física dos participantes, lembrando que a leitura da prosa é diferenciada em relação a atuação de textos dramáticos ou poesias.

Outro componente dessa aliança entre dramaturgia e literatura é a música, que vai dar forma às palavras lidas pelas duas atrizes. O responsável pela sonorização do encontro será o músico Gilson Fukushima.

Literatura clássica e contemporânea no projeto EntreMundos

Publicado em 04/05/11 pelo jornal oestadodoparana.com.br


A terceira edição do projeto “EntreMundos – Mundo da Leitura, Leitura do Mundo” levará ao palco do Teatro da Caixa obras de autores de diferentes épocas e continentes. O francês Voltaire, o argentino Ricardo Piglia e o norte-americano David Foster Wallace terão trechos de suas obras lidas nesta quarta-feira, dia 4 de maio, a partir das 20h. O ingresso é um livro não-didático.

Nesta edição, o diretor Walter Lima Torres é o responsável por comandar as leituras dos livros escolhidos pelo curador Flávio Stein. “Ricardo Piglia e David Foster Wallace estão mais próximos de narrativas, digamos, mais ousadas em relação a Voltaire, que é um autor clássico. Em comum entre todos, pode-se perceber certa brevidade na narrativa, certa capacidade de síntese - cada um à sua maneira. Em todos os casos temos um grande exercício de concisão”, diz o diretor Walter Lima Torres.

Vale lembrar que a leitura de prosas é diferente da atuação de textos dramáticos ou da poesia. “Nesta leitura vamos tentar subtrair ao máximo a presença corporal e física dos participantes. Vamos experimentar a voz em um novo lugar de onde dizer os textos que foram selecionados”, completou Walter. Esse é o desafio que as leitoras selecionadas pelo diretor, Jaqueline Valdívia e Maíra Weber, terão pela frente.

Para ajudar a criar a atmosfera da experiência, o músico Gilson Fukushima irá fazer intervenções sonoras durante o evento, que ainda conta com Caetano Galindo como mediador do debate que segue as leituras. Professor da Universidade Federal do Paraná, Galindo é o tradutor dos textos de Foster Wallace que serão lidos na ocasião.

EntreMundos é apresentado no Teatro da Caixa

Publicado em 04/05/11 pelo portal CGN Notícias
Texto: Bruna Bazzo


Na noite desta quarta-feira (4), o Teatro da Caixa, no centro de Curitiba, recebe o projeto “EntreMundos – Mundo da Leitura, Leitura do Mundo”, que apresenta obras de autores de diferentes épocas e continentes, num mesmo contexto.

Na terceira edição o público vai conferir a releitura de trechos das obras de três autores, como o filósofo francês Voltaire, o norte-americano David Foster Wallace, e o argentino Ricardo Piglia, como conta o diretor Walter Lima Torres.

Para leitura dos textos foram escolhidas as atrizes Jaqueline Valdívia e Maíra Weber, que ficam sentadas em meio à platéia.

Além da leitura, o diretor incluiu a participação do músico Gilson Fukushima para intervenções sonoras, e trouxe o professor Caetano Galindo da UFPR, para mediar um bate-papo com o público.

A escolha dos autores para esta noite foi feita pelo curador Flávio Stein.
.

Teatro da Caixa é palco de encontro literário

Publicado em 06/04/11 pelo portal Bem Paraná
Texto: Redação Bem Paraná


O projeto apresenta ao público textos em prosa, contos e crônicas, não dramáticos e não poéticos. 


O Projeto “EntreMundos” apresenta textos de Paulo Venturelli, Bernardo Carvalho, Assionara Souza e Luis Henrique Pellanda 

No próximo dia 13 (quarta-feira), o Teatro da Caixa apresenta a segunda sessão do projeto literário “EntreMundos – Mundo da leitura, leitura do mundo”. A sessão traz leituras das obras “Fantasmas de Caligem”, de Paulo Venturelli; “Aberração”, de Bernardo Carvalho; “Amanhã. Com Sorvete!”, de Assionara Souza; e “O Macaco Ornamental”, de Luis Henrique Pellanda. A direção é de Márcio Mattana, a música de Cláudio Menandro e a mediação de Luis Bueno.

O projeto contempla dez leituras de obras de todas as épocas e de autores do mundo todo. Com uma edição por mês, a ideia é apresentar ao público textos em prosa, contos e crônicas, não dramáticos e não poéticos. “EntreMundo” apresenta uma sessão exclusivamente brasileira, com autores do Brasil afora. Três deles (Venturelli, Assionara e Pellanda) consolidaram as suas carreiras na capital paranaense.

“EntreMundos” é a continuidade dos projetos “Brasis: Leituras Plurais” e “XX Narrativas do Século XX”, que passaram pelo espaço nos dois últimos anos. “Brasis: Leituras Plurais”, se dedicou exclusivamente a obras literárias de 20 autores brasileiros, desde nomes consagrados como Nelson Rodrigues e Clarice Lispector até escritores reconhecidos nos últimos anos, como João Gilberto Noll, Milton Hatoum e Cristovão Tezza.

Em 2010, mantendo a estrutura proposta no primeiro ano, o projeto passou a ser denominado “XX Narrativas do século XX”. Da mesma maneira que no ano anterior, a proposta continuou a abranger o século 20, mas ampliou os horizontes ao oferecer uma visão panorâmica da produção literária mundial, através de uma seleção de autores representantes da diversidade da produção do último século.

Paulo Venturelli – Catarinense nascido em 1950, Venturelli é graduado em Letras pela UFPR e doutor pela USP. Possui diversas obras publicadas, como “Admirável Ovo Novo”, “O Anjo Rouco” e “Introdução à arte de ser menino”, que recebeu o Prêmio Cruz e Sousa da Fundação Catarinense de Cultura. A Câmara Municipal de Curitiba concedeu à Venturelli o Prêmio Medalha de Mérito Fernando Amaro, pelo conjunto da obra.

Bernardo Carvalho – Jornalista e escritor carioca, nascido em 1960, Bernardo é um dos grandes nomes da literatura contemporânea brasileira. Publicou "Aberração"; "Onze"; "Medo de Sade"; “Nove Noites”, que ganhou o prêmio Portugal Telecom em 2003; "Mongólia", que ganhou o Prêmio APCA em 2003 e Jabuti em 2004, entre outros.

Assionara Souza – A potiguar que nasceu em 1969 e é doutoranda em Estudos Literários, publicou “Cecília Não é Um Cachimbo” e publica alguns textos inéditos no blog homônimo. Participa do “Dedo de moça – uma antologia das escritoras suicidas”.

Luis Henrique Pellanda – O dramaturgo, escritor, jornalista, roteirista e músico nasceu em 1973, em Curitiba e trabalhou nas redações dos jornais Gazeta do Povo e Primeira Hora. Atualmente é coeditor e cronista do site de crônicas e ilustrações Vida Breve. Atua ainda como subeditor e colunista do jornal literário Rascunho.
.

Quando os textos são os protagonistas

Publicado em 02/03/11 pelo jornal Gazeta do Povo
Texto: Marcio Renato dos Santos
Foto: Valdir Silva


 
Eduardo Giacomini, Elenize Dezgeniski e Felipe Ayres na edição de junho de 2010 do projeto 20 Narrativas do Século 20


Projeto de Flávio Stein e Leandro Daniel Colombo chega ao terceiro ano, unindo literatura, dramaturgia, música e debate no Teatro da Caixa

Hoje, a partir das 20 horas, tem início o projeto EntreMundos – Mundo da Leitura, Leitura do Mundo, no palco do Teatro da Caixa, com as leituras de um trecho de Decamerão, do italiano Giovanni Boccaccio (1313-1375), de um conto do livro A Nova Califórnia e Outros Contos, de Lima Barreto (1881-1922) e de um trecho de Cada Homem É uma Raça, coletânea de contos de Mia Couto, nascido em 1955 em Moçambique.

O roteiro de EntreMundos... é o seguinte: por volta das 20 horas, uma mestre de cerimônias – hoje é a professora do curso de Letras da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Patrícia Cardoso – recebe o público e faz a apresentação dos textos que serão lidos. Em seguidas, atores fazem a leitura: nesta primeira edição, o ator Luiz Carlos Pazello e a diretora Silvia Monteiro entram em cena. As leituras são acompanhadas de performances musicais ao vivo e, na estreia da proposta, as artistas convidadas são as cantoras Cris Lemos e Thayana Barbosa. Após as leituras, a apresentadora se torna a mediadora da discussão, que não tem hora para terminar.

Neste ano, acontecerão outros nove encontros (leia mais no quadro ao lado), nos quais serão lidos textos de 25 autores no total – para cada edição, há um novo time de convidados. O curador do projeto, Flávio Stein, conta que, nas duas edições anteriores, o público prestigiou as leituras e discussões. Em 2009, a proposta se chamava Brasis: Leituras Plurais, somente com textos de autores brasileiros; ano passado, o título era 20 Narrativas do Século 20, com foco em obras de autores de diversos países.

“De universitário a senhoras e senhores aposentados, o público do projeto é variado. Na plateia, há músicos, atores, dramaturgos, escritores, profissionais liberais, enfim, pessoas que gostam de ler”, diz Stein.

Conhecido pela sua atuação como músico e dramaturgo, Stein diz estar feliz e realizado à frente desta proposta de fomento à leitura, que tem Leandro Daniel Colombo na direção executiva. O curador conta que, antes do início do projeto, em 2009, ele tinha dúvidas a respeito de qual seria a reação do público. Para a sua surpresa, desde os primeiros encontros, cerca de 90% da plateia permanece no teatro após a leitura para participar das discussões.

Quando as pessoas dizem que, depois dos bate-papos, pretendem “sair correndo para comprar os livros lidos e comentados”, Stein sente estar no caminho certo. “Despertar nas pessoas o gosto pela leitura é algo realmente mágico”, afirma.

Diferentemente das edições anteriores, nas quais havia limites, ora em autores do Brasil, ora em escritores estrangeiros, em 2011 não há mais fronteiras. Além dessa possibilidade de viabilizar tanto a leitura de um livro de Miguel de Cervantes como de um de David Foster Wallace, Stein anuncia que, no mês que vem, serão lidos textos de Luís Henrique Pellanda, Assionara Souza e Paulo Venturelli, três autores contemporâneos que vivem em Curitiba. “A expectativa é de que eles estejam na plateia, para ouvir as leituras e participar das discussão. Desde já, o encontro tem tudo para se tornar histórico”, finaliza Stein.

Literatura do mundo transposta para o palco

Publicado em 01/03/11 pelo jornal oestadodoparana.com.br
Texto: Paula Melech 
Foto: Valdir Silva


Leandro Daniel, Flávio Stein e Mauro Zanatta na edição de agosto de 2010 
do "XX Narrativas do Século XX".

Textos de várias épocas escritos por autores de diferentes partes do mundo são colocados em confronto no “EntreMundos - Mundo da leitura, leitura do mundo”. A estreia do projeto de literatura – que dá continuidade ao “Brasis: Leituras Plurais” e ao “XX Narrativas do Século XX” – estreia nesta quarta-feira (2), no Teatro da Caixa.

Transpor para o palco obras que tem o papel como suporte exige um processo criativo que começa com a indicação dos autores e livros a serem lidos. Nesta primeira edição da nova empreitada, Flávio Stein e Leandro Daniel Colombo (responsáveis, respectivamente, pela curadoria e direção executiva) selecionaram produções de três continentes.

Do século 14 foi escolhido “Decameron”, do italiano Giovanni Bocaccio. O brasileiro Lima Barreto (1881-1922) terá um conto extraído do livro “A Nova Califórnia e Outros Contos”. O premiado autor moçambicano Mia Couto (1955) estará representado com “Cada Homem é uma Raça”.

O eixo que liga os três projetos, diz Flávio, é o repertório amplo com diferentes linguagens, tendo a narrativa como fio-condutor. Agora, o EntreMundos vêm para ampliar o repertório de leituras “incluindo textos das 1001 noites, passando pelo século 17 e 18 e chegando até o século 21”, exemplifica o curador.

Interessados em explorar com maior vigor todas as vertentes da literatura, os organizadores optaram pela prosa, o gênero literário mais consumido. “Em projetos de leitura encontramos com mais frequência textos dramáticos (de teatro) e recitais de poesia. Mas a prosa dificilmente é lida em voz alta”.

A direção da leitura será de Silvia Monteiro, que também vai dividir o palco com o ator Luiz Carlos Pazello. Como nos outros projetos, as leituras serão seguidas de discussões entre o público, atores e diretor, sempre com a mediação de alguém ligado à literatura. Nesta edição, a mediadora será Patrícia Cardoso, professora da Universidade Federal do Paraná.

As apresentações vão continuar com o formato de combinar música com literatura. As intervenções sonoras desta quarta-feira serão guiadas pelas cantoras Cris Lemos e Thayana Barbosa.
.